Feliz é fado do puro inocente. Esquecida pelo mundo que ela esqueceu…


A arte de (não) saber fazer amigos.
outubro 25, 2008, 7:20 pm
Filed under: Uncategorized | Tags: , ,

Eu não sei conquistar alguém. Digo, sei esconder minha falta de interesses e iludir um conhecido. Mas isso, acho que qualquer pessoa que nasceu no final do século XX sabe fazer.
Talvez isso tenha virado um sistema de defesa tão grande, que para sobreviver, todos temos que fazer isso volta e meia para não naufragar nesse oceano de solidão.
Quase todos se interessam por assuntos tão banais, tipo, “X tá de caso com Y”, “xunda está traindo loxa”, “viu o ultimo capitulo da novela?”, “ai estou tão estressado ultimamente”, “meu patrão está explodindo meus pacovás”, “deus tá voltando pra castigar todo mundo”, e por aí vai.
Existe uma necessidade absurda de todos se sentirem importantes ao mesmo tempo e basicamente os grupos de amigos nada mais são do que gladiadores disputando os ouvidos alheios por meio de agressões simples e mascaradas.
A necessidade natural amar e ser amado foi subrepujada pelo impulso de se sentir importante advinda da competição baseada no prazer.
Enquanto numa relação emocional as duas partes saem ganhando, são tratadas com respeito e atenção, nessa relação baseada em razão, oque prevalece é a disputa.
Esse assunto me lembrou um filme japonês onde duas senhoras bem velhinhas se encontraram no fim de semana, e compartilhavam da mais pura conexão sem ao menos trocar palavras. Elas apenas aproveitavam a companhia uma da outra, simples assim. Elas se comunicam através do olhar… o quão raro é isso hoje?
Chega a ser surreal em um relacionamento atual onde isso aconteça hoje em dia.
A questão é que à muito tempo eu perdi o interesse nas pessoas comuns, elas me irritam, são egoístas, apáticas, fúteis, chatas e fingem que acham que são importantes, talvez essa, a caracteristica humana pós-moderna de banalizar o mundo, que me deixe tão desinteressado por elas.
Por mais que eu tente simular um interesse quase-natural nas pessoas fora do meu circulo social, eu não consigo e só passa na minha cabeça a vontade de colocar os fones nos ouvidos e me desligar do mundo.
No meio de assuntos tão sem objetivos ou com objetivos idiotas, quase que 100% classificados como disputa ou idiotice, eu não sinto prazer em fazer parte e isso me desloca, me coloca de lado.
Esse texto não significa que eu não tenha amigos ou pessoas em minha intimidade. Significa que é dificil encontrar pessoas que não foram feitas em uma forma de padaria… é difícil mas elas existem sim. Eu conheço algumas que faço que questão de manter perto de mim.

Parafraseando Gregory House, “quem mais evita os relacionamentos, é quem sabe o verdadeiro significados que eles tem na vida de um ser humano”.

Anúncios


Saber ver.
setembro 24, 2008, 12:58 am
Filed under: complexidade | Tags: , , , , ,

Saber ver é um dos processos mais difíceis nos dias de hoje, pois estamos extremamente acostumados à julgar tudo e todos a todo o tempo.
Nossa cultura, nossa realidade linear-cartesiana foi montada em cima da percepção visual, enquanto matamos pouco a pouco os outros sentidos.
Hoje em dia não sabemos comer, não sabemos cheirar, não sabemos tocar e sentir, e pior de tudo, não sabemos ouvir. Não sabemos ouvir o outro, não conseguimos nos atentar a informações sem pré-julgar. Não sabemos mais ouvir música.
O parágrafo anterior foi apenas para salientar o quanto deixamos de lado os outros sentidos na nossa percepção do mundo, então, não era de se espantar que nossa capacidade de visão ficasse saturada também. Com o tempo, perdemos a capacidade de nos concetrarmos totalmente no objetivo, pois desde o primeiro instante já estamos julgando o objeto/pessoa procurando padrões aos quais poderiamos classifica-lo.
Temos medo de chegar no final da experiência e estarmos vazios de opnião. Nos tornamos escravos de nossas próprias mentes e nem percebemos isso.

Não somos livres. Liberdade é, como bem disse algum filósofo bem sagaz é o espaço de tempo que nos permitimos pensar, entre o impulso questionativo e a resposta que apresentamos.

Se vemos uma pessoa diferente, já analisamos todas as suas características, tentando encontrar padrões classificativos, para saber como lidaremos com ela. Esse é o comportamento natural da nossa sociedade. Mas a verdade é que somos enganados o tempo todo por esses padrões extremamente simples que julgamos coerentes na nossa forma de lidar com o mundo. A verdade é que não enjoamos de dar com a cabeça na parede. Sempre arriscamos mais uma vez, pois na próxima, com certeza vou acertar meu pré-julgamento!

Como bem dizia Fernando Pessoa:

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós, que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender.

Oque ele provavelmente quis dizer é que simplismente não tem como ver e pensar ao mesmo tempo, nem fazer qualquer outra coisa. Devemos reaprender a nos concentrar 100% ao que estamos fazendo, durante todo o dia. A paz se encontra no aqui/agora, no presente.

E o presente, nos ultimos tempos está tão difícil de se perceber…