Feliz é fado do puro inocente. Esquecida pelo mundo que ela esqueceu…


Independencia e liberdade
janeiro 1, 2009, 10:13 pm
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Esses dias tenho pensado muito na liberdade e no que ela representa para o ser humano.
Pensei muito em como minha forma de enxergar a vida mudou nesses poucos 20 e tantos anos que tenho.
A conclusao que cheguei foi a seguinte:
Eu nao sei lidar com liberdade. Quando eu era moleque, eu fazia, criava, existia, simplesmente porque alguem me era dono de mim, no caso, minha mae.
Explicando melhor, eh como se eu soubesse perfeitamente oque eu pudesse fazer dentro dos meus limites. Eu os conhecia muito bem, e os explorava em sem culpa. Pois se ultrapassa algum deles, logo, um puxao de orelha me faria parar e perceber melhor oque estava fazendo. Nao me preocupava pois nao precisava me preocupar. Alguem fazia o trabalho por mim.
Conforme fui crescendo, fui percebendo que liberdade eh responsabilidade e isso me assustou.
Nao queria ser dono de uma vida, de uma vida. Se desse certo beleza, mas se desse errado? A responsabilidade obviamente seria minha.
A questao eh que a partir do momento que percebi isso, parece que um veu se destacou dos meus olhos e do meu coracao e a vontade de criar aos poucos foi novamente ganhando forca dentro de mim.
Tenho vontade de fazer coisas, pintar, escrever, trabalhar, morar sozinho, viajar. E isso eh engracado porque a anos nao sentia essa vontade verdadeira, as poucas vezes nesse tempo que quis fazer algo, foi pra evitar o presente, fugir, nao enxergar a vida que esvaia em minhas maos e nao ouvir o tique do relogio incessante aos meus ouvidos.

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Liberdade
dezembro 28, 2008, 12:52 pm
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Liberdade é estar aberto ao mundo, sem julgamentos, sem predições e preconceitos, sem classificações.
Esse é o problema da liberdade, ela é tudo que não é simbólico, é a ausência de classificação. Sendo dessa forma, o homem como ser racional, carente de explicações deseja a escravidão fornecida pela resposta, porque toda resposta é uma escravidão, todo conceito escraviza pois limita o infinito da coisa em si e do ser em si.
A abdicação da liberdade é um processo natural da evolução humana, porque está ligada de forma intrísseca com com reconhecimento do mundo e interação com os demais, com o aprendizado da linguagem.
Liberdade é felicidade mas também é ausência de explicações e conceitos, é apenas viver sem expectativas.
Liberdade é uma alegoria, uma alegoria impossível de ser alcançada dentro da civilização.
Assim sendo, o amor livre é apenas uma deliciosa fantasia vivida por escravos carentes de uma sociedade menos ridícula e hipócrita.



Saber ver.
setembro 24, 2008, 12:58 am
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Saber ver é um dos processos mais difíceis nos dias de hoje, pois estamos extremamente acostumados à julgar tudo e todos a todo o tempo.
Nossa cultura, nossa realidade linear-cartesiana foi montada em cima da percepção visual, enquanto matamos pouco a pouco os outros sentidos.
Hoje em dia não sabemos comer, não sabemos cheirar, não sabemos tocar e sentir, e pior de tudo, não sabemos ouvir. Não sabemos ouvir o outro, não conseguimos nos atentar a informações sem pré-julgar. Não sabemos mais ouvir música.
O parágrafo anterior foi apenas para salientar o quanto deixamos de lado os outros sentidos na nossa percepção do mundo, então, não era de se espantar que nossa capacidade de visão ficasse saturada também. Com o tempo, perdemos a capacidade de nos concetrarmos totalmente no objetivo, pois desde o primeiro instante já estamos julgando o objeto/pessoa procurando padrões aos quais poderiamos classifica-lo.
Temos medo de chegar no final da experiência e estarmos vazios de opnião. Nos tornamos escravos de nossas próprias mentes e nem percebemos isso.

Não somos livres. Liberdade é, como bem disse algum filósofo bem sagaz é o espaço de tempo que nos permitimos pensar, entre o impulso questionativo e a resposta que apresentamos.

Se vemos uma pessoa diferente, já analisamos todas as suas características, tentando encontrar padrões classificativos, para saber como lidaremos com ela. Esse é o comportamento natural da nossa sociedade. Mas a verdade é que somos enganados o tempo todo por esses padrões extremamente simples que julgamos coerentes na nossa forma de lidar com o mundo. A verdade é que não enjoamos de dar com a cabeça na parede. Sempre arriscamos mais uma vez, pois na próxima, com certeza vou acertar meu pré-julgamento!

Como bem dizia Fernando Pessoa:

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós, que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender.

Oque ele provavelmente quis dizer é que simplismente não tem como ver e pensar ao mesmo tempo, nem fazer qualquer outra coisa. Devemos reaprender a nos concentrar 100% ao que estamos fazendo, durante todo o dia. A paz se encontra no aqui/agora, no presente.

E o presente, nos ultimos tempos está tão difícil de se perceber…